Imunoterapia epicutânea pode mudar o tratamento de alergia alimentar

Wed, 23 Jan 2019 14:22:50 +0000 / 0 Comentários

Entre as doenças alérgicas, a alergia alimentar apresenta especial destaque nas linhas de pesquisa atuais, visto que a história natural vem se tornando cada vez mais persistente e o caráter das reações, mais grave. Um número maior de pacientes mantém reações até a idade adulta, desencadeadas por alimentos cuja resolução acontecia ainda na infância.

Para esses pacientes que não adquirem a tolerância de forma espontânea, muitas formas de tratamentos vêm sendo estudadas e uma delas é a chamada imunoterapia oral. O paciente começa a receber quantidades bem pequenas do alimento que desencadeia a alergia e essas porções vão progredindo até que ele dessensibilize do alérgeno. “Essa forma de imunoterapia oral está associada a um risco de reações e há a necessidade de ser feita em ambiente com estrutura que possa dar atendimento de urgência nos casos de reações alérgicas mais graves, como anafilaxia”, explica Dra. Ariana Campos Yang, especialista da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).

Devido a esta questão de segurança com a imunoterapia oral, está surgindo uma nova perspectiva, que vem sendo pesquisada nos Estados Unidos, utilizando amendoim e leite, e que é chamada de imunoterapia epicutânea.

Segundo Dra. Ariana, o método consiste em um adesivo sobre a pele que deverá obedecer um tempo crescente de contato. “Os resultados das pesquisas da imunoterapia epicutânea mostram que umas parcelas significativas dos pacientes tratados aumentam a tolerância de exposição do alimento em até 10 vezes”, conta a especialista da ASBAI.

A vantagem é a segurança do procedimento, com reação apenas no local onde se coloca o adesivo. Por enquanto, a imunoterapia epicutânea tem a perspectiva de levar a uma maior proteção, mas os estudos ainda não comprovaram que o tratamento possa resolver por completo a alergia.

“Temos um projeto em São Paulo para iniciar o tratamento, mas ainda com várias fases a cumprir antes de implementar o protocolo. A perspectiva é que, no futuro, essa seja uma ferramenta disponível para um tratamento domiciliar, sem a necessidade de ser feito em ambiente hospitalar e sem supervisão médica necessária na imunoterapia oral”, comenta Dra. Ariana.

Caso seja aprovado, o custo desse tratamento também deve ser mais baixo que o da imunoterapia oral, já que não necessita de uma equipe de especialistas para administrar a terapia.

Fonte: O Estado CE